As autoridades espanholas voltaram a interrogar António da Silva, de 81 anos, principal suspeito do duplo homicídio da mulher, María Trinidad Suardíaz, então com 25 anos, e da filha de 13 meses, Beatriz, desaparecidas em 1987 nas Astúrias. O interrogatório decorreu no lar de idosos em Zamora onde o português vive atualmente, mas, tal como ao longo de toda a investigação, recusou-se a colaborar.
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Segundo o La Sexta, António limitou-se a afirmar, em francês: “Não confirmo nem desminto”, deixando a investigação novamente sem novos avanços e provocando indignação entre os inspetores.
Os crimes prescreveram há vários anos, o que impede qualquer detenção. As autoridades espanholas esperavam, contudo, que a idade avançada e o estado de saúde levassem o suspeito a confessar, o que não aconteceu.
A pista mais recente aponta para que António tenha matado a mulher — que o denunciara por violência doméstica um ano antes — e a filha bebé, colocando os corpos num carro que terá sido atirado a um lago numa antiga mina em Berbes, nas Astúrias. Um lago onde o GEO localizou dois veículos e que deverá ser drenado para verificar se neles se encontram os restos mortais de Maritrini e da filha.
Um passado marcado pela violência
Longe de ser apenas um idoso discreto num lar de Zamora, António Silva é descrito pela imprensa espanhola como “extremamente violento”. Ao longo da vida foi condenado por vários crimes, incluindo agressão sexual e sequestro, e chegou a ser preso em França e na Suíça. Utilizou diferentes identidades — Maurício Ramos e António da Silva — e ficou conhecido por vários apelidos, como El Portugués e Meio-Homem.

Teve duas mulheres: a primeira deixou-o e está viva; a segunda, María Trinidad, denunciou-o por violência doméstica ainda antes do nascimento da filha. O casal foi visto pela última vez a 15 de julho de 1987, à saída do Tribunal Provincial de León, onde foram informados de que o julgamento por violência doméstica teria início dois meses depois. Nunca mais foram vistas.
António alegou, à época, que a família viajara para o Algarve e que se separaram, versão sempre contestada pelos familiares de María.
Décadas de buscas e silêncio persistente
Em 2016 e 2018, as autoridades realizaram buscas nas duas casas onde o casal viveu e na zona da mina em Berbes. O suspeito foi detido em 2018, mas libertado por falta de provas.
Após regressar a Portugal, viveu discretamente até ser encontrado há cerca de um ano a viver como sem-abrigo em Zamora. Vizinhos ajudavam-no com comida e roupas, sem conhecer o passado criminal. Acabou internado num lar, onde permanece — e continua a recusar qualquer cooperação.
Os investigadores aguardam agora a drenagem do lago, numa tentativa de resolver um dos casos mais prolongados e perturbadores da justiça espanhola.

