A população de sardinha adulta praticamente quadruplicou desde 2015, segundo dados divulgados no relatório “Fishing for the Future”, da organização Marine Stewardship Council, publicado por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos.
O estudo indica que a recuperação resulta de mudanças na gestão das pescas, incluindo medidas mais rigorosas de controlo e regras científicas aplicadas à captura. A evolução positiva estende-se também a outras espécies marinhas, como o atum-rabilho do Atlântico oriental e a pescada.
No caso do atum-rabilho, o relatório refere que a espécie, que esteve próxima do colapso no final do século passado, recuperou para níveis elevados graças a um plano internacional de recuperação com regras apertadas de exploração. Já a pescada, fortemente sobre-explorada nos anos 1990, também regressou a níveis considerados sustentáveis após alterações nas práticas de pesca, como o aumento da malhagem das redes.
O documento destaca ainda o papel da cooperação entre ciência, governos e setor da pesca na recuperação dos ecossistemas marinhos. Manuel Barange, diretor de Pescas e Aquicultura da FAO, sublinha que estes casos demonstram ser possível reverter a sobre-exploração quando há compromisso político e base científica sólida.
O relatório também revela que, apesar dos progressos, persistem lacunas no conhecimento do público sobre o estado dos oceanos. Em Portugal, por exemplo, muitos inquiridos desconhecem a origem do atum consumido globalmente ou a dimensão real das zonas mais profundas do oceano, embora a maioria reconheça preocupações como a poluição, as alterações climáticas e a sobrepesca.
A efeméride do Dia Mundial dos Oceanos continua a alertar para a importância das áreas marinhas protegidas, consideradas essenciais para restaurar ecossistemas e garantir a sustentabilidade dos recursos marinhos a nível global.

