O jogo entre o Sporting Clube Fermentelos e o FC Pampilhosa, relativo à 13.ª jornada do Campeonato SABSEG, continua a gerar polémica e contradições após a interrupção forçada aos 63 minutos. Depois de uma tarde marcada por incidentes no Estádio Constantino Marques Duarte, a direção do Pampilhosa divulgou, nas suas redes sociais, um comunicado onde afirma que a equipa abandonou o encontro por alegados insultos racistas dirigidos a um dos seus jogadores.
No texto tornado público, o clube alega que “desde as bancadas foram proferidos vários episódios de insultos racistas para dentro de campo”, garantindo que, perante a situação, decidiu “ao minuto 20 da segunda parte dar a partida como terminada”, recolhendo imediatamente a equipa ao balneário.
O Pampilhosa invocou a Lei n.º 93/2017, que estabelece o regime jurídico do combate ao racismo e à discriminação racial, reforçando que, sendo distinguido com a Bandeira da Ética do Desporto, “não compactua com este crime”. O clube sublinha ainda que “mais importante do que um resultado desportivo” está “a proteção e a salvaguarda da dignidade dos nossos atletas”, repudiando “veementemente este triste episódio”.
A publicação surge horas depois de um jogo que ficou manchado por vários momentos de tensão, nomeadamente a expulsão do treinador do Pampilhosa, desentendimentos entre adeptos visitantes e membros da própria equipa técnica, e a entrada em campo de um adepto forasteiro, obrigando à intervenção policial.
Da parte do SC Fermentelos, embora o clube ainda não tenha emitido comunicado oficial, responsáveis ligados ao encontro garantem que não houve qualquer registo reportado à equipa de arbitragem referente a insultos racistas no período que decorreu até à interrupção. As autoridades presentes no estádio já haviam identificado um adepto da equipa da casa na primeira parte por alegadas palavras dirigidas a um jogador do Pampilhosa, mas o incidente foi considerado isolado e não impediu a continuidade do jogo naquela fase.
A Associação de Futebol de Aveiro deverá agora analisar todos os relatórios — de arbitragem, policiamento, delegados das equipas e eventuais queixas formais — para determinar o que realmente aconteceu e quais poderão ser as consequências disciplinares para ambas as formações.
O caso promete marcar as próximas semanas no futebol distrital de Aveiro, sendo já certo que a decisão final ultrapassará largamente o mero desfecho desportivo dos 63 minutos disputados.



