Operação “Tranca Segura” desmantela rede que introduzia droga em prisões: 20 detidos e 81 mil euros apreendidos

Vinte pessoas foram detidas pela Polícia Judiciária no âmbito da operação “Tranca Segura”, que visou um grupo suspeito de introduzir e distribuir estupefacientes em vários estabelecimentos prisionais do Centro do país. A investigação, que decorria há cerca de um ano, abrangeu as prisões da Guarda, Viseu, Coimbra e Lamego e revelou métodos particularmente engenhosos para fazer chegar droga ao interior das cadeias, incluindo cocaína escondida num rolo de carne e drogas sintéticas impregnadas em papéis apresentados como mensagens escritas por crianças.

Uma operação de grande dimensão da Polícia Judiciária culminou na detenção de 20 pessoas, 17 homens e três mulheres, suspeitas de integrarem uma estrutura organizada dedicada ao fornecimento de estupefacientes para estabelecimentos prisionais e à distribuição de droga nas cidades onde alguns dos envolvidos residiam.

A denominada operação “Tranca Segura” foi desencadeada pela Polícia Judiciária, através do Departamento de Investigação Criminal (DIC) da Guarda, durante segunda e terça-feira, contando com uma forte participação do Corpo da Guarda Prisional.

Em causa estão suspeitas da prática dos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa, branqueamento de capitais e posse de arma proibida.

A investigação começou há cerca de um ano e teve origem em ações de prevenção realizadas no Estabelecimento Prisional da Guarda, depois de terem sido detetados e apreendidos estupefacientes no interior daquela prisão.

As diligências desenvolvidas a partir dessas primeiras apreensões começaram a revelar um esquema que, segundo a investigação, estaria organizado para fazer chegar diferentes tipos de droga aos reclusos.

Droga escondida no corpo, num rolo de carne e em mensagens de crianças

Um dos aspetos que mais se destaca na investigação são precisamente os métodos utilizados para tentar ultrapassar os mecanismos de segurança existentes nas prisões.

As primeiras ações levaram à detenção, em momentos distintos, de três homens e uma mulher quando alegadamente tentavam introduzir substâncias ilícitas no Estabelecimento Prisional da Guarda.

Num dos casos, foi detetado pólen de haxixe transportado no interior do corpo.

Noutro, a droga foi escondida num produto alimentar: cocaína dissimulada dentro de um rolo de carne.

A investigação deparou-se ainda com um método diferente e particularmente difícil de detetar. Drogas sintéticas terão sido impregnadas em folhas de papel que aparentavam conter mensagens escritas por crianças, numa tentativa de fazer entrar as substâncias no estabelecimento prisional sob a aparência de correspondência aparentemente inofensiva.

As sucessivas ocorrências levaram a PJ a aprofundar a investigação, procurando determinar quem estava por detrás das tentativas de introdução dos produtos e qual a dimensão da estrutura.

Investigação identificou alegado grupo organizado

Com o desenvolvimento das diligências, os investigadores conseguiram, segundo a PJ, identificar a totalidade do grupo que estaria envolvido no esquema.

A investigação permitiu ainda apurar que a atividade dos suspeitos não estaria limitada ao fornecimento de estupefacientes para o interior das prisões.

O grupo é igualmente suspeito de distribuir os produtos ilícitos nas comunidades onde os seus elementos residiam, com particular incidência nas cidades da Guarda e Viseu.

Perante os elementos recolhidos ao longo de aproximadamente um ano, foi preparada uma operação de grande dimensão destinada a executar simultaneamente detenções, buscas e apreensões.

23 buscas e 20 detenções

Durante a operação foram cumpridos 23 mandados de busca domiciliária e não domiciliária.

A PJ deu igualmente cumprimento a 19 mandados de detenção, tendo uma vigésima pessoa sido detida em flagrante delito por posse de arma proibida.

No âmbito das diligências foram também efetuadas buscas nos Estabelecimentos Prisionais da Guarda, Coimbra e Lamego.

O Corpo da Guarda Prisional teve uma participação relevante na operação, nomeadamente através do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP) e da mobilização de três equipas cinotécnicas.

A dimensão da operação fica também patente nos meios humanos mobilizados pela Polícia Judiciária.

Além do DIC da Guarda, participaram elementos da Diretoria do Centro, dos Departamentos de Investigação Criminal de Leiria e Aveiro, da Unidade de Armamento e Segurança e da Unidade de Perícias Tecnológicas e Informáticas.

No total, a PJ mobilizou 85 inspetores, dez elementos de segurança e três especialistas de Polícia Científica, aos quais se juntaram os meios do Corpo da Guarda Prisional.

81 mil euros, droga, armas, telemóveis e viaturas apreendidos

As buscas permitiram às autoridades apreender um conjunto significativo de dinheiro, estupefacientes, armas e outros objetos considerados relevantes para a investigação.

Entre o material apreendido encontram-se cerca de 81 mil euros em numerário, além de 80 doses individuais de heroína e 120 doses de cocaína.

Foram igualmente encontrados sete papéis impregnados com substâncias estupefacientes, um método que a investigação já tinha identificado durante as diligências anteriores relacionadas com a entrada de droga nas prisões.

As autoridades apreenderam ainda duas armas de fogo e 71 munições de diversos calibres, incluindo munições compatíveis com as armas encontradas.

Da operação resultou também a apreensão de quatro balanças de precisão, 31 telemóveis e três viaturas.

O elevado número de equipamentos de comunicação apreendidos deverá agora assumir particular relevância na continuação da investigação, juntamente com os restantes elementos recolhidos durante as buscas.

Investigação começou dentro da prisão e chegou às cidades

A operação “Tranca Segura” representa o culminar de cerca de um ano de investigação que começou com apreensões de droga dentro do Estabelecimento Prisional da Guarda e acabou por revelar, segundo a PJ, uma estrutura com uma dimensão substancialmente superior.

As sucessivas apreensões e detenções permitiram seguir o percurso dos estupefacientes e identificar os suspeitos que alegadamente asseguravam o fornecimento.

A investigação acabou também por estabelecer ligações a outras prisões e à distribuição de estupefacientes fora do sistema prisional, particularmente na Guarda e em Viseu.

A utilização de diferentes métodos para ocultar a droga demonstra igualmente a complexidade do fenómeno enfrentado pelas autoridades penitenciárias, sobretudo perante substâncias sintéticas que podem ser impregnadas em papel e introduzidas através de objetos aparentemente comuns.

A operação agora realizada procurou atingir simultaneamente os vários elementos que, de acordo com os indícios recolhidos, fariam parte dessa estrutura.

Os 20 detidos — 17 homens e três mulheres — serão presentes ao DIAP da Guarda, onde é dirigido o respetivo inquérito, para os procedimentos judiciais subsequentes e aplicação das medidas de coação consideradas adequadas.

A investigação prossegue.

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