Norovírus e bactérias intestinais levam centenas às urgências dos Açores

Várias ilhas dos Açores registaram, nas últimas semanas, um aumento de casos de gastroenterite aguda, situação que levou centenas de pessoas a recorrerem às unidades de saúde da região.

A Autoridade Regional de Saúde (ARS) dos Açores confirmou, esta sexta-feira, a presença de norovírus em casos registados nas ilhas de São Miguel e do Faial. Foram ainda identificadas, pontualmente, duas bactérias intestinais: Salmonella e Campylobacter.

Segundo a ARS, até 26 de agosto foi registado, na vigilância regional, um aumento acima do esperado de episódios compatíveis com gastroenterite aguda, distribuídos por várias ilhas e ao longo de várias semanas.

A autoridade de saúde esclarece que não se trata de um único foco, mas de um aumento de casos com diferentes períodos de maior incidência entre as ilhas.

No Faial, onde o aumento de casos começou mais cedo, chegou a ser registado um surto que afetou mais de 400 pessoas num curto período. Apesar disso, a transmissão encontra-se atualmente em queda, com o número de reprodução efetivo (Rt) abaixo de 1 desde 19 de agosto.

Também nas Flores e na Terceira há sinais de redução dos casos. Na ilha das Flores, depois de um novo aumento registado a 23 de agosto, os números diários têm vindo a diminuir. Na Terceira, o volume de atendimentos no Hospital de Santo Espírito, em Angra do Heroísmo, e na Praia da Vitória também já desceu.

Em São Miguel, além do norovírus, foram identificados pontualmente casos de Salmonella e Campylobacter. A ARS considera que estas deteções reforçam a importância das medidas de higiene alimentar, sem alterar, contudo, a avaliação geral da situação.

A maioria dos doentes atendidos devido a gastroenterite aguda não necessita de internamento e recupera em casa num período de um a três dias.

Autoridades reforçam recomendações

Apesar da descida dos casos em várias ilhas, a vigilância permanece ativa em todos os concelhos. A ARS alerta ainda para a possibilidade de novos aumentos enquanto existir transmissão entre pessoas.

As autoridades recomendam que as pessoas com vómitos ou diarreia permaneçam em casa e só regressem ao trabalho 48 horas após o último episódio. A mesma recomendação é especialmente importante para profissionais que trabalham com alimentos, crianças ou pessoas vulneráveis.

É também aconselhada a lavagem frequente das mãos com água e sabão, sobretudo depois de utilizar a casa de banho e antes de preparar alimentos.

As pessoas com sintomas devem manter uma boa hidratação, através da ingestão de água ou de soluções de reidratação oral, particularmente no caso de crianças e idosos.

A procura de cuidados de saúde é recomendada perante sinais como sangue nas fezes, prostração, desidratação ou agravamento do estado de saúde, especialmente em pessoas com doenças crónicas.

A ARS salienta que, apesar do aumento real de casos, a maioria das situações é ligeira e autolimitada. O contacto inicial com os serviços de saúde deverá ser feito, nestas circunstâncias, através da Linha Saúde Açores.

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