Mortes nos EUA: Trump trava ICE, México pede investigação. O que se sabe?

O governo dos Estados Unidos ordenou a suspensão da maioria dos bloqueios rodoviários realizados pelo Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE), após a morte de três pessoas em operações distintas no espaço de uma semana, dois dos casos envolvendo disparos de agentes. A decisão surge num contexto de crescente contestação às práticas da agência e de pressão internacional, com o México a exigir investigações criminais.

A ordem partiu do Departamento de Segurança Interna (DHS), que tutela o ICE, na sequência de um incidente ocorrido na segunda-feira, no estado do Maine, onde um agente matou a tiro um cidadão colombiano de 25 anos. Dias antes, um homem mexicano de 52 anos tinha sido igualmente morto a tiro por agentes em Houston, no Texas. Já na terça-feira, um terceiro caso resultou na morte de um jovem de 28 anos, atropelado por um camião enquanto fugia de autoridades federais na Florida.

Apesar da suspensão anunciada, os bloqueios rodoviários não foram totalmente proibidos, podendo ainda ocorrer em situações específicas, como na execução de mandados de detenção ou em operações conjuntas com outras forças de segurança.

Os episódios reacenderam o debate sobre o uso da força por parte do ICE. No caso mais recente, no Maine, as autoridades norte-americanas alegam que o agente disparou por recear pela segurança pública, após o condutor ter tentado fugir. No entanto, versões divergentes têm sido apresentadas, incluindo a de responsáveis políticos que indicam que o veículo terá sido usado como potencial arma.

Também o caso ocorrido em Houston gerou controvérsia. As autoridades afirmam que o homem tentou atropelar agentes, versão contestada por testemunhas. A ausência de imagens de câmaras corporais no momento do incidente intensificou as críticas e levou a pedidos de investigação independente.

Na Florida, o terceiro caso envolveu um confronto entre agentes e quatro indivíduos, que fugiram a pé. Um deles acabou por ser atingido mortalmente por um camião ao atravessar uma estrada movimentada. As circunstâncias do incidente continuam sob investigação.

As mortes desencadearam protestos em várias localidades, com manifestantes a acusarem o ICE de uso excessivo da força e a exigirem responsabilização. Paralelamente, o governo mexicano formalizou pedidos junto de procuradores-gerais estaduais norte-americanos para a abertura de investigações criminais relacionadas com mortes de migrantes sob custódia ou em operações da agência.

O México anunciou ainda que irá enviar solicitações semelhantes ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, embora Washington não esteja legalmente obrigado a dar seguimento. Além disso, a diplomacia mexicana começou a remeter cartas a centros de detenção onde ocorreram mortes de cidadãos mexicanos, exigindo o fim de práticas que possam comprometer os direitos humanos, incluindo falhas no acesso a cuidados médicos.

Segundo dados divulgados pelo governo mexicano, desde o início do atual mandato presidencial de Donald Trump, morreram 17 migrantes mexicanos em ações relacionadas com a aplicação da lei migratória norte-americana, 14 sob custódia do ICE e três durante operações no terreno.

Os acontecimentos representam uma escalada na tensão diplomática entre os dois países e levantam novas questões sobre a atuação das autoridades migratórias dos Estados Unidos e o respeito pelos direitos dos migrantes.

0