Morte de “El Mencho” marca um duro golpe ao narcotráfico no México

Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, mais conhecido como “El Mencho”, foi morto pelo exército mexicano no domingo, após uma operação militar em Tapalpa, no estado de Jalisco. Considerado um dos narcotraficantes mais procurados tanto pelo México como pelos Estados Unidos, “El Mencho” liderava o Cartel Jalisco Nueva Generación, um dos mais poderosos do país.

Oriundo de uma família de agricultores, Oseguera deixou a escola ainda criança para trabalhar. Mais tarde, imigrou ilegalmente para os Estados Unidos, onde iniciou a sua rede de tráfico em São Francisco, Califórnia, sendo detido e deportado por três vezes. Em 1992, foi condenado a quatro anos de prisão por tentativa de venda de heroína, regressando posteriormente ao México.

No país natal, integrou inicialmente o Cartel Milenio, onde conheceu a sua futura mulher, cujos irmãos pertenciam ao influente ramo Le Cuins. Em 2010, fundou o Cartel Jalisco Nueva Generación, inicialmente associado ao Cartel de Sinaloa, mas que rapidamente se tornou independente, assumindo um papel dominante no tráfico de drogas para os Estados Unidos. O cartel ficou conhecido pela extrema violência, recrutando homens — muitos à força e alguns com apenas 12 anos — para campos paramilitares.

O império de “El Mencho” expandiu-se não só pelo território mexicano, mas também para os Estados Unidos, Austrália, Europa e Japão. A sua família também esteve envolvida em atividades criminosas: o filho “El Menchito” cumpre prisão perpétua; a filha mais velha foi detida e posteriormente libertada; o irmão Antonio, conhecido como Tony Montana, fugiu e foi preso na Califórnia; e o genro foi condenado por lavagem de dinheiro.

Apesar de liderar um dos cartéis mais violentos do México, “El Mencho”, de 59 anos, mantinha uma vida discreta, com poucas fotografias disponíveis. Os Estados Unidos e o México ofereciam até 15 milhões de dólares pela sua captura. A sua morte representa um dos maiores golpes ao narcotráfico desde a prisão de Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “Mayo” Zambada, fundadores do Cartel de Sinaloa.

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