Montemor-o-Velho mobiliza 180 empresários para traçar futuro económico com foco na indústria, agricultura e turismo

Montemor-o-Velho mobiliza 180 empresários para traçar futuro económico com foco na indústria, agricultura e turismo

Mais de 180 empresários, representantes institucionais e agentes económicos reuniram-se, no dia 3 de setembro, no Fórum Cultural de Montemor-o-Velho, no Colóquio do Tecido Empresarial dedicado aos “Desafios e Oportunidades para o Futuro Económico”, num encontro que colocou no centro do debate os apoios às empresas, o associativismo empresarial e as estratégias de competitividade, inovação e desenvolvimento para o concelho, com a autarquia a assumir como prioridade atrair novo investimento e, ao mesmo tempo, apoiar e valorizar quem já está instalado no território.

O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, defendeu, no encerramento da iniciativa, que “o futuro económico de Montemor-o-Velho constrói-se com empresas fortes, empresários mobilizados e instituições disponíveis para trabalhar em conjunto”, sublinhando uma estratégia que não se limita a captar investidores externos, mas procura também consolidar e expandir as empresas que já geram emprego e riqueza no concelho. Esta dupla aposta — atração e retenção — reflete uma leitura de que o desenvolvimento económico sustentável depende tanto de novos projetos como da capacidade de quem já está no terreno crescer, modernizar-se e criar mais valor acrescentado.

Para operacionalizar esta visão, a autarquia tem já em funcionamento o Gabinete do Empresário, um serviço de proximidade destinado a apoiar os negócios locais nas suas relações com a câmara, e está a avançar com a ampliação do Parque Logístico e Industrial de Arazede, num investimento de cerca de 5,2 milhões de euros, que inclui a alteração do respetivo Plano de Pormenor, com o objetivo de simplificar procedimentos e tornar a área empresarial mais ágil, competitiva e atrativa. O valor do investimento — 5,2 milhões de euros — traduz-se numa expansão significativa da capacidade de acolhimento de empresas, o que pode ser decisivo para fixar projetos que necessitam de espaço para produção, armazenamento ou logística, setores com forte potencial de criação de emprego no concelho.

José Veríssimo apontou ainda como um dos objetivos do Executivo incentivar a dinamização de uma associação empresarial forte e representativa, capaz de dar mais voz às empresas, estimular a cooperação, promover parcerias e contribuir para encontrar respostas para desafios comuns. A aposta no associativismo parte do pressuposto de que empresas organizadas em torno de uma estrutura comum têm mais força para negociar com fornecedores, aceder a financiamento, partilhar recursos e defender os seus interesses junto das autoridades, algo particularmente relevante num concelho onde muitas empresas são de pequena e média dimensão e atuam em setores tradicionais.

O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, considerou que Montemor-o-Velho reúne condições para alcançar “um novo patamar de desenvolvimento”, defendendo a capacidade de adaptação dos modelos de negócio e a transformação dos atuais desafios em oportunidades. Num território onde a agricultura e o setor agroalimentar representam uma importante riqueza económica, o governante perspetivou um papel crescente destas áreas na próxima década, antecipando que a valorização dos produtos locais e regionais, aliada à inovação e à digitalização, pode abrir novas portas de mercado e aumentar a rentabilidade das explorações e das unidades de transformação.

Pedro Machado identificou ainda o turismo de natureza e o ecoturismo, a valorização dos produtos locais e regionais e a dinamização do comércio de proximidade como outras das oportunidades para o concelho, apontando a inovação, a digitalização e o acesso ao financiamento como fatores essenciais para aumentar a competitividade das empresas. Esta leitura alinha Montemor-o-Velho com tendências mais amplas do interior e das zonas rurais, onde o turismo ligado à natureza, aos percursos pedestres, à bicicleta e aos produtos endógenos tem vindo a ganhar relevância, criando sinergias entre agricultura, restauração, alojamento e comércio local.

A cooperação entre territórios esteve também em destaque na intervenção de Ricardo Cruz, vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC), que salientou a importância da partilha de informação e recursos para reforçar a competitividade da região. A ideia de trabalhar em rede, partilhando boas práticas, dados e até infraestruturas, permite a municípios de dimensão média como Montemor-o-Velho aceder a escala e a recursos que, isoladamente, seriam mais difíceis de mobilizar, seja no domínio da formação, da promoção turística ou da atração de investimento.

No painel moderado por Jorge Brito, secretário executivo da CIM-RC, Manuel Paiva dos Santos, do Programa Regenerar, abordou os principais obstáculos sentidos pelas empresas no acesso aos apoios e defendeu uma maior aproximação entre a ciência, o conhecimento e a realidade empresarial. Esta questão é recorrente no debate sobre desenvolvimento económico: muitas empresas, especialmente as de menor dimensão, têm dificuldade em navegar na complexidade dos programas de apoio, em preparar candidaturas competitivas ou em estabelecer parcerias com universidades e centros de investigação, perdendo oportunidades de financiamento e de inovação que poderiam transformar os seus modelos de negócio.

Vasco Sequeira Estrela, vice-presidente da CCDR Centro, destacou, por sua vez, a inovação, a economia circular e o trabalho em rede como fatores essenciais para acrescentar valor aos produtos de Montemor-o-Velho e aproximar a produção da comercialização. A economia circular — que passa por reduzir desperdícios, reaproveitar subprodutos e criar cadeias de valor mais curtas e eficientes — é particularmente relevante num concelho com forte componente agroalimentar, onde há margem para transformar resíduos em recursos, criar novas linhas de produto e reduzir custos, ao mesmo tempo que se responde a exigências ambientais cada vez mais rigorosas.

O encontro abriu igualmente espaço à participação direta dos empresários, que partilharam experiências, identificaram dificuldades e apresentaram contributos sobre as condições necessárias ao crescimento das empresas e ao desenvolvimento económico do concelho. Esta componente é fundamental para que as políticas públicas não fiquem desligadas da realidade do terreno: são as empresas que sabem, na prática, onde estão os estrangulamentos — seja na burocracia, no acesso ao crédito, na falta de mão de obra qualificada ou nas deficiências de infraestruturas — e que podem apontar caminhos concretos para os superar.

A iniciativa, promovida pelo CLDS 5G Montemor-o-Velho, em parceria com o Município e a CIM-RC, contou ainda com a presença do presidente da Assembleia Municipal, Fernando Ramos, dos vereadores do Executivo Municipal e de representantes de diversas entidades e instituições, reforçando a importância da articulação entre empresas, autarquias, associações, sistema científico e tecnológico e Administração Central para transformar o potencial do território em investimento, emprego e desenvolvimento económico. Esta convergência de atores em torno de uma agenda comum é vista como condição necessária para que as estratégias desenhadas no papel se traduzam em projetos concretos, com impacto visível na economia local e na qualidade de vida das populações.

Com o colóquio encerrado, o desafio passa agora por transformar as ideias e compromissos assumidos em ações concretas: avançar com a ampliação do parque industrial de Arazede, consolidar o Gabinete do Empresário, fomentar a criação de uma associação empresarial representativa e canalizar apoios e programas de financiamento para os setores identificados como prioritários, como o agroalimentar, o turismo de natureza e o comércio de proximidade. O ritmo e a eficácia desta implementação serão decisivos para que Montemor-o-Velho consiga, de facto, alcançar o “novo patamar de desenvolvimento” evocado pelos intervenientes.

Nota sobre a informação disponível: o comunicado não especifica quais os setores económicos predominantes entre os 180 participantes, nem detalha propostas concretas apresentadas pelos empresários durante o debate, informação que seria relevante para perceber quais as prioridades mais prementes do tecido empresarial do concelho. Do mesmo modo, não é indicado o calendário concreto para a ampliação do Parque Logístico e Industrial de Arazede, nem o montante de financiamento já assegurado para essa obra.

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