Mojtaba Khamenei, escolhido no domingo para suceder ao pai, Ali Khamenei, sofreu ferimentos nas pernas no ataque lançado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, que matou vários membros da sua família.
Apesar dos ferimentos, o novo líder supremo encontra-se “são e salvo” e isolado num local de alta segurança, segundo afirmou esta quarta-feira Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian.
A informação foi divulgada através da aplicação Telegram, onde Yousef Pezeshkian referiu ter confirmado junto de contactos próximos que Mojtaba Khamenei está em segurança. “Ouvi relatos de que o senhor Mojtaba Khamenei tinha sido ferido. Perguntei a alguns amigos que têm contactos com ele. Disseram-me que, graças a Deus, está são e salvo”, escreveu.
Desde que foi anunciado como sucessor do pai, o paradeiro de Mojtaba Khamenei permanece incerto. Três dias após a escolha para líder supremo, ainda não apareceu em público, em vídeo ou através de qualquer declaração escrita.
De acordo com fontes das autoridades iranianas citadas pelo The New York Post, o silêncio deve-se, em parte, ao receio de que qualquer comunicação possa revelar a localização do líder e colocá-lo em risco. As mesmas fontes indicam que Khamenei, de 56 anos, sofreu ferimentos nas pernas no primeiro dia do ataque, mas mantém-se “em alerta e isolado num local de alta segurança, com comunicação limitada”.
As circunstâncias exatas e a gravidade das lesões continuam, contudo, por esclarecer.
O ataque que matou Ali Khamenei provocou também a morte de outros familiares diretos do novo líder supremo: a mãe, Mansoureh Khojasteh Bagherzadeh, a mulher, Zahra Adel, e um dos seus filhos.
Uma figura influente nos bastidores
Nascido em Mashhad cerca de uma década antes da Revolução Islâmica Iraniana, Mojtaba Khamenei era há vários anos apontado como um dos principais candidatos ao cargo máximo do regime teocrático iraniano.
Apesar de nunca ter desempenhado funções governativas formais, é frequentemente descrito como um estratega influente nos bastidores do poder em Teerão. Combateu na Guerra Irão‑Iraque, integrado numa divisão da Guarda Revolucionária Islâmica.
Documentos diplomáticos norte-americanos divulgados pela WikiLeaks descrevem-no como “o poder por detrás da cortina” dentro do regime, destacando a sua influência nos círculos políticos e de segurança.
Os Estados Unidos sancionaram Mojtaba Khamenei em 2019, durante o primeiro mandato do então presidente Donald Trump, acusando-o de promover “ambições regionais desestabilizadoras” e “opressão interna”.
Entre outras alegações, é também apontado como apoiantes da eleição do ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad em 2005 e da sua controversa reeleição em 2009, que desencadeou os protestos conhecidos como Movimento Verde iraniano.

