Membro do PCC detido em Cascais tentou travar extradição com pedido de proteção internacional

Um alegado membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), conhecido pela alcunha de “Hulk”, tentou impedir a extradição para o Brasil através de um pedido de proteção internacional, entretanto recusado pelas autoridades portuguesas.

Detido a 13 de novembro de 2025 pela Polícia Judiciária, em Cascais, o suspeito — identificado como Ygor Daniel Zago — é apontado como um dos líderes da organização criminosa.

Após o pedido de extradição apresentado pelo Brasil no final de novembro do ano passado, o caso passou por várias instâncias judiciais em Portugal. O arguido apresentou um pedido de proteção internacional junto da Agência para a Integração Migrações e Asilo (AIMA), alegando risco de perseguição e violação de direitos humanos caso fosse extraditado.

Contudo, segundo o Tribunal da Relação de Lisboa, o pedido foi considerado “infundado” e excluído de proteção internacional, não estando prevista qualquer suspensão do processo de extradição.

Inicialmente, a Relação de Lisboa autorizou a extradição, mas o arguido recorreu para o Supremo Tribunal de Justiça, que anulou a decisão por entender que não tinha sido garantido o direito de defesa relativamente a elementos enviados pelas autoridades brasileiras. O processo regressou à Relação, que, a 25 de março deste ano, voltou a autorizar a extradição, ainda sem data definida.

O suspeito é procurado pelas autoridades brasileiras por crimes de associação criminosa, corrupção e branqueamento de capitais. De acordo com o pedido de extradição, será um dos responsáveis por uma rede dedicada à adulteração de combustíveis, com atividade em dezenas de postos de abastecimento em várias cidades do Brasil, incluindo São Paulo e Campinas.

A investigação teve início em 2023, após a apreensão de cerca de 30 mil litros de metanol, substância utilizada na adulteração de combustíveis. As autoridades brasileiras identificaram várias organizações criminosas envolvidas no esquema, que incluía também corrupção de entidades fiscalizadoras e lavagem de dinheiro através de empresas criadas para o efeito.

Apesar do historial criminal, Ygor Daniel Zago vivia em Cascais com a companheira, apresentando-se como diretor de logística, até à sua detenção no âmbito de um mandado internacional.

O processo de extradição mantém-se em curso, enquanto o arguido permanece em prisão em Portugal.

0