Médico luso-venezuelano recém-libertado retoma trabalho formando profissionais de saúde

O médico luso-venezuelano Manuel Enrique Ferreira, detido na Venezuela desde 19 de julho de 2025, reencontrou-se com a família e anunciou que vai retomar a sua atividade profissional, ministrando aulas de pós-graduação a médicos em radiologia e imagiologia.

Em declarações à Lusa, Ferreira expressou profunda gratidão ao Governo português pelo acompanhamento do seu caso e pelo apoio prestado a outros lusodescendentes detidos, considerados presos políticos. O médico destacou o momento em que falou pela primeira vez com a esposa, a 14 de janeiro, após sete meses sem contacto familiar, descrevendo-o como um dia de grande inspiração espiritual.

Filho de um madeirense que se estabeleceu na Venezuela em 1953, Ferreira destacou também o orgulho pelas suas raízes e pela participação no Centro Luso-Larense de Barquisimeto, onde transmitiu tradições, cultura e história portuguesas às novas gerações.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal confirmou a libertação do médico, reiterando solidariedade à família e o compromisso de continuar a trabalhar pela libertação de outros presos políticos no país. Ferreira tinha sido acusado de incitamento ao ódio e associação para cometer crimes.

Nas últimas semanas, também foram libertados os lusodescendentes Jaime Reis Macedo, Pedro Javier Rodriguez e Carla Rosaura da Silva Marrero, embora todos permaneçam sujeitos a restrições, incluindo a proibição de sair do país, falar com a imprensa sobre os casos e a obrigação de se apresentarem periodicamente perante os tribunais.

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