Cerca de três dezenas de pessoas manifestaram-se, este fim de semana, na ilha de Santa Maria, nos Açores, em apoio ao médico Rafael Macedo, que está a ser investigado por ter divulgado nas redes sociais um vídeo com o cadáver de um bebé encontrado morto num centro de processamento de resíduos.
Apesar de a autópsia ter concluído que o bebé nasceu morto, o clínico continua a defender tratar-se de um crime, alegando que a divulgação das imagens foi a única forma de “provar” a sua convicção.
Em declarações à RTP-Açores, alguns manifestantes destacaram a importância do médico para a comunidade, sobretudo no atendimento de urgência, descrevendo-o como um profissional dedicado e próximo da população. Ainda assim, a adesão ao protesto ficou aquém do esperado, contrastando com uma petição de apoio que já reúne mais de 480 assinaturas. Os participantes justificaram a fraca mobilização com alegadas ameaças, sem, no entanto, especificarem a origem das mesmas.
Presente na manifestação, Rafael Macedo reiterou que decidiu expor o corpo do bebé após ter tido conhecimento de notícias que apontavam para um nado-morto نتيجة de aborto espontâneo, versão que rejeita, apesar de confirmada pelos exames médico-legais. O médico admitiu que a divulgação das imagens poderia causar choque, mas considerou-a necessária para demonstrar a existência do caso.
O clínico revelou ainda que, apesar de já não exercer funções como delegado de saúde — cargo que abandonou pouco tempo após a nomeação —, terá sido contactado pela direção regional da Polícia Judiciária para colaborar nas diligências iniciais.
O caso está a ser investigado pela Inspeção Regional da Saúde, na sequência da divulgação das imagens, que gerou indignação pública.
Paralelamente, continuam as investigações em torno da descoberta do bebé, que foi encontrado a 30 de março numa estação de tratamento de resíduos da ilha. A mãe, que alegadamente terá ocultado a gravidez, já foi ouvida pela Polícia Judiciária.
Para já, as autoridades confirmam apenas a ocorrência de um crime de profanação de cadáver, mantendo em aberto outras linhas de investigação.

