Certame reúne dezenas de artesãos de todo o país, associações locais, grandes espetáculos musicais e milhares de visitantes num dos eventos mais emblemáticos da Região Centro
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A Mealhada voltou esta terça-feira a afirmar-se como um dos grandes palcos da cultura popular portuguesa com a abertura oficial da Feira de Artesanato e Gastronomia 2026, um certame que até ao próximo dia 14 de junho promete atrair milhares de visitantes ao coração da cidade, numa celebração da identidade, das tradições, dos sabores e dos saberes que marcam o território.
A edição deste ano arrancou ao final da tarde perante dezenas de convidados, representantes institucionais, artesãos, associações e visitantes, numa cerimónia que contou com a presença do Secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, do presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Jorge Franco, do vereador Nuno Veiga e de representantes da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.
Mais do que uma simples feira, o evento assume-se hoje como uma verdadeira montra do património material e imaterial português, reunindo cerca de sete dezenas de artesãos certificados oriundos de várias regiões do país, desde Trás-os-Montes ao Algarve, ao mesmo tempo que promove os produtos gastronómicos que tornaram a Mealhada uma referência nacional.
Ao longo de seis dias, o centro urbano da cidade transforma-se num espaço de encontro entre gerações, culturas e tradições, onde o artesanato, a gastronomia, a música, a animação de rua e o associativismo convivem lado a lado numa fórmula que tem vindo a consolidar-se como um dos maiores sucessos do calendário de eventos da região.
Um evento que preserva a identidade e cria riqueza
Na sessão inaugural, Silvério Regalado destacou o papel que iniciativas desta natureza desempenham na valorização dos territórios e na preservação da identidade cultural portuguesa.
Para o governante, as autarquias assumem hoje uma missão fundamental na manutenção das tradições e na criação de oportunidades de desenvolvimento económico através da valorização do património cultural.
“Quando promovemos o território estamos a promover a nossa identidade. Estamos a conservar a nossa história, a preservar os nossos valores e simultaneamente a criar condições para projetar os territórios para o futuro”, afirmou.
O Secretário de Estado recordou mesmo um caso concreto que ilustra a importância destes certames para a economia local, referindo o exemplo de um empresário que iniciou a sua atividade na própria Feira de Artesanato e Gastronomia da Mealhada há cerca de duas décadas.
“Falávamos há pouco com um expositor que nos contou que veio pela primeira vez a esta feira há vinte anos para vender pão com chouriço e que aqui criou o seu negócio. Estes exemplos mostram como eventos desta dimensão podem transformar vidas e gerar riqueza para as comunidades”, salientou.
Para Silvério Regalado, a presença do Governo na inauguração constitui também um sinal de proximidade aos territórios e ao poder local.
“É importante que o Governo esteja próximo das pessoas, das suas aspirações e das suas necessidades. Esta ligação entre administração central e administração local é essencial para construir políticas públicas que respondam efetivamente aos desafios dos territórios”, afirmou.
O centro da cidade como palco da vida comunitária
Uma das principais apostas da organização continua a ser a realização do certame no centro da Mealhada, opção que tem vindo a reforçar a dinâmica urbana e comercial da cidade.
O presidente da Câmara Municipal da Mealhada, António Jorge Franco, considera que a localização da feira é parte integrante da sua identidade e da sua estratégia de valorização do espaço público.
“Esta feira deve acontecer exatamente onde está. Nos centros urbanos, nos centros históricos, nos locais onde as pessoas vivem e convivem. Queremos dar vida ao centro da cidade, promover a circulação pedonal e criar hábitos de utilização dos espaços públicos”, sublinhou.
O autarca destacou igualmente a qualidade do artesanato presente no certame, salientando que os expositores representam o melhor que se produz atualmente em Portugal nas mais diversas áreas tradicionais.
“Temos aqui artesãos certificados de norte a sul do país, pessoas que dedicam um ano inteiro ao aperfeiçoamento das suas peças e que encontram nesta feira uma oportunidade para mostrar o seu trabalho, valorizar a cultura portuguesa e desenvolver a sua atividade económica”, referiu.
Segundo António Jorge Franco, a Feira de Artesanato e Gastronomia assume-se cada vez mais como um instrumento de promoção cultural, turística e económica do concelho.

Gastronomia, artesanato e associativismo numa combinação única
Entre os grandes atrativos do evento encontra-se naturalmente a componente gastronómica, onde brilham as chamadas “Quatro Maravilhas da Mesa da Mealhada” — o Leitão, o Pão, o Vinho e a Água — símbolos de uma tradição gastronómica que continua a projetar o nome da Mealhada dentro e fora de Portugal.

Contudo, a oferta vai muito além destes produtos identitários.
As associações locais assumem também um papel de destaque, explorando espaços de restauração e angariação de fundos que ajudam a sustentar a sua atividade ao longo do ano.
Para o vereador Nuno Veiga, esta é uma das características diferenciadoras do certame.
“Temos aqui uma mistura muito especial entre gastronomia, artesanato, cultura, entretenimento e associativismo. As associações conseguem obter receitas para desenvolver os seus projetos e, ao mesmo tempo, ajudam a criar o ambiente único que caracteriza esta feira”, afirmou.
O responsável destaca igualmente a diversidade geográfica dos expositores presentes.
“Temos artesãos provenientes de praticamente todo o território nacional. Isso permite que os visitantes façam uma verdadeira viagem pela cultura portuguesa sem saírem da Mealhada.”
Um dos cartazes mais fortes de sempre
A organização apostou este ano numa programação artística de grande dimensão, procurando alcançar públicos de diferentes gerações e gostos musicais.
A abertura do certame ficou marcada pelos concertos da 180º Music Band e de Anselmo Ralph, um dos nomes mais populares da música lusófona contemporânea.
Ao longo dos próximos dias, o palco principal receberá artistas e projetos de grande notoriedade nacional, com destaque para Quim Barreiros, Karetus, Tony Carreira e o espetáculo de tributo aos Queen, “A Kind of Queen”.
A programação inclui ainda dezenas de iniciativas complementares, desde bandas filarmónicas a grupos folclóricos, escolas de dança, animação de rua, fanfarras, espetáculos de magia, caminhadas, provas desportivas e atividades para famílias.
Segundo Nuno Veiga, o objetivo passou por construir uma programação capaz de mobilizar diferentes públicos.
“Procurámos criar um cartaz transversal. Há propostas para os mais jovens, para os menos jovens e para as famílias. Queremos que toda a gente encontre motivos para visitar a Mealhada ao longo destes seis dias.”
Uma referência para a Região Centro
Presente na inauguração em representação da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Ricardo Cruz destacou a importância estratégica do evento para a promoção regional.
O responsável considera que a Feira de Artesanato e Gastronomia representa um exemplo de valorização dos recursos endógenos e do património cultural português.
“Estamos perante um evento que promove a excelência. Não se trata apenas de uma feira comercial. Estamos a falar de artesãos certificados, de saberes transmitidos entre gerações e de uma forte ligação à identidade cultural do território”, afirmou.
Ricardo Cruz salientou ainda que a Mealhada continua a afirmar-se como um dos principais destinos gastronómicos da Região Centro, beneficiando da notoriedade conquistada através das suas quatro referências gastronómicas maiores: o pão, a água, o vinho e o leitão.
Seis dias para celebrar Portugal
Até domingo, a Feira de Artesanato e Gastronomia promete colocar a Mealhada no centro das atenções da região e do país.
Entre sabores tradicionais, peças artesanais únicas, espetáculos de grande dimensão e centenas de horas de animação, o certame reafirma-se como um dos mais relevantes eventos culturais e gastronómicos da Região Centro, assumindo simultaneamente uma importante função económica, social e turística.
Durante seis dias, a cidade transforma-se numa verdadeira montra daquilo que Portugal tem de mais genuíno: as suas tradições, os seus artesãos, os seus produtores, as suas associações e a capacidade de transformar património cultural em desenvolvimento e futuro.































