Mais de uma dezena de polícias detidos em Lisboa por suspeitas de tortura e violações filmadas em esquadras

Pelo menos 15 agentes da PSP foram detidos esta terça-feira no âmbito de uma operação relacionada com alegados crimes de tortura, ofensas graves à integridade física e violação ocorridos nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, em Lisboa.

A investigação, dirigida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa em articulação com a PSP, constitui um novo desenvolvimento de um caso que já tinha levado outros nove polícias à prisão preventiva.

Vítimas em situação de especial vulnerabilidade

Segundo os dados apurados, as vítimas dos alegados crimes seriam pessoas em situação de grande fragilidade social, incluindo sem-abrigo, toxicodependentes e cidadãos estrangeiros.

Os factos sob investigação terão ocorrido no interior de instalações policiais, em circunstâncias que estão ainda a ser aprofundadas pelas autoridades judiciais.

Vídeos terão sido gravados e partilhados

Um dos elementos centrais do processo são imagens alegadamente captadas pelos próprios suspeitos. De acordo com os indícios recolhidos, os abusos terão sido filmados e posteriormente partilhados em grupos privados de mensagens.

As autoridades estão a analisar conteúdos difundidos através de plataformas como WhatsApp e Telegram, sendo que parte das identificações dos suspeitos terá resultado desses registos e do reconhecimento feito pelas vítimas.

Buscas em várias esquadras

Além das detenções, estão a decorrer buscas em várias esquadras da capital, incluindo na sede da 1.ª Divisão da PSP de Lisboa, onde alguns dos suspeitos exercem funções.

Processo já tinha levado agentes à prisão preventiva

A investigação teve início em julho do ano passado, com a detenção de dois agentes que já foram acusados e pronunciados para julgamento. Em março deste ano, uma nova fase do processo levou à detenção de mais sete polícias por factos semelhantes, encontrando-se também em prisão preventiva.

Com esta nova operação, aumenta significativamente o número de agentes visados, sendo expectável que vários dos detidos venham a enfrentar a aplicação da medida de coação mais gravosa.

Há mais agentes sob investigação

O inquérito não se limita aos alegados autores diretos. As autoridades procuram agora apurar se outros elementos da PSP, que terão tido conhecimento dos factos através das mensagens e vídeos, falharam o dever de denúncia.

Em causa está a eventual responsabilidade disciplinar e criminal de quem, tendo conhecimento das alegadas práticas, não comunicou os factos às entidades competentes.

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