Um homem de nacionalidade brasileira, com cerca de 50 anos e residente em Águeda, foi detido este domingo por suspeitas da prática de crimes sexuais contra a enteada, uma menina de apenas 10 anos. O caso está agora sob investigação da Polícia Judiciária.
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A situação foi denunciada depois de a criança ter relatado a familiares aquilo de que alegadamente vinha sendo vítima. Segundo testemunhos recolhidos pela nossa reportagem junto de familiares da menor, a menina terá revelado os factos no sábado, manifestando medo em contar à mãe o que estaria a acontecer.
Familiares afirmam ainda existirem gravações e outros elementos que poderão constituir prova e que terão sido entregues às autoridades. Um dos testemunhos recolhidos refere que existiriam câmaras no interior da habitação e que terão sido obtidas imagens relacionadas com os alegados abusos.
A GNR foi chamada e o suspeito acabou por ser intercetado na residência onde vivia com a família, situada no centro da cidade de Águeda.
De acordo com os familiares ouvidos pela nossa reportagem, o homem terá admitido perante os militares factos relacionados com as suspeitas que recaem sobre si. Esta informação resulta, nesta fase, dos testemunhos recolhidos no local e deverá ser confirmada oficialmente pelas autoridades responsáveis pela investigação.
A criança e a mãe foram também conduzidas ao Posto Territorial da GNR de Águeda. Os familiares descreveram ambas como estando em estado de choque e manifestaram preocupação com a necessidade de acompanhamento psicológico imediato para a menor.
Na sequência da ocorrência, o INEM foi chamado ao posto da GNR para avaliar o estado de saúde da criança.
Os familiares disseram ainda à nossa reportagem que os alegados abusos poderão não corresponder a um episódio isolado. Segundo um dos testemunhos, a criança terá contado que a situação se prolongava há algum tempo e que estaria a ser ameaçada para não revelar o que acontecia.
Um familiar relatou que a revelação aconteceu depois de a menina ter ficado momentaneamente afastada da residência, na companhia de uma mulher da família. Foi nessa ocasião que terá pedido para contar algo em segredo e relatado os alegados abusos, começando a chorar. O testemunho da criança terá então sido registado em áudio.
Familiar refere antecedentes no estrangeiro
Um familiar afirmou ainda à nossa reportagem que o suspeito terá antecedentes criminais no estrangeiro, nomeadamente uma passagem pelo sistema judicial nos Estados Unidos, embora tenha admitido desconhecer os motivos da alegada detenção naquele país. Referiu igualmente ter encontrado referências a processos judiciais após pesquisar o nome do suspeito. Estas informações não foram, até ao momento, confirmadas oficialmente pelas autoridades portuguesas.

O mesmo testemunho aponta ainda para a existência de imagens provenientes das câmaras instaladas na habitação. Segundo o familiar, um filho do suspeito teria acesso ao sistema e terá guardado imagens que posteriormente foram disponibilizadas aos familiares e às autoridades.
Câmara de Águeda disponível para prestar apoio psicológico
Contactada pela nossa reportagem, a Câmara Municipal de Águeda, através da vereadora Marlene Gaio, manifestou disponibilidade para prestar o apoio psicológico que seja possível à criança e à família, dentro das competências da autarquia.
Apesar de se tratar de um processo de natureza criminal, cuja investigação e acompanhamento judicial competem às autoridades competentes, a autarquia mostrou-se disponível para colaborar e proporcionar o apoio que estiver ao seu alcance, nomeadamente ao nível psicológico.
Esta disponibilidade foi transmitida à nossa reportagem quando procurávamos perceber que respostas poderiam ser mobilizadas perante a situação vivida pela criança e pela família. Na reportagem realizada junto ao posto da GNR, foi igualmente referido que, tratando-se de matéria criminal, existem competências que não pertencem ao município, sem prejuízo da disponibilidade municipal para apoiar.
O caso foi entregue à Polícia Judiciária, que ficará responsável pela investigação e pelo apuramento das circunstâncias em que terão ocorrido os factos.
A identidade da criança, da mãe e dos restantes familiares será preservada, atendendo à idade da vítima e à natureza particularmente sensível do processo.
O homem permanece detido e deverá ser presente às autoridades judiciárias competentes.
O caso aconteceu no centro da cidade de Águeda e continuará a ser acompanhado pela nossa redação.
