Exames nacionais continuam a gerar polémica com novos erros, provas desaparecidas e impacto nas candidaturas ao Ensino Superior

Os problemas associados à correção digital dos exames nacionais do ensino secundário continuam a marcar a atual época de avaliações, com o surgimento de novos erros na classificação de provas, relatos de exames desaparecidos e reflexos já visíveis no acesso ao Ensino Superior. A situação tem motivado críticas de especialistas, preocupações entre alunos e famílias e até uma intervenção pública do Presidente da República.

Depois das falhas inicialmente detetadas em várias disciplinas, surgiram novos alertas relacionados com o exame nacional de Geografia A. A Associação de Professores de Geografia (APROFGEO) pediu uma verificação urgente da parametrização automática de um dos itens da prova, realizada por mais de 16 mil estudantes, após receber diversos relatos de classificações que poderão não respeitar os critérios definidos. O pedido surge poucos dias depois de o Júri Nacional de Exames ter sido obrigado a corrigir avaliações de outros itens da mesma prova, situação que levou ao prolongamento do prazo de inscrição para a segunda fase.

As dificuldades não se limitam, porém, aos erros de classificação. Um dos casos que mais tem gerado preocupação é o de uma aluna que realizou exames de Português, Geografia e Inglês na Madeira, mas que acabou por receber classificação de zero nas três provas. Depois de solicitar a consulta dos exames, foi informada de que os mesmos não se encontram disponíveis na plataforma de digitalização.

Segundo a escola onde realizou os exames, as provas terão sido enviadas para o Centro Regional de Lisboa e Vale do Tejo do Júri Nacional de Exames. No entanto, a escola de origem da estudante, nos Olivais, garante não ter recebido qualquer documentação. Perante a ausência de respostas e com o processo de candidatura ao Ensino Superior já em curso, a jovem optou por inscrever-se na segunda fase dos exames nacionais.

A sucessão de problemas está também a ter consequências diretas no acesso ao Ensino Superior. No primeiro dia de candidaturas deste ano foram registadas apenas algumas centenas de candidaturas, um número muito inferior ao verificado no mesmo período do ano passado, quando já tinham sido submetidos mais de dez mil processos. A diferença é atribuída aos atrasos e às incertezas geradas pelas falhas no processo de correção e divulgação das classificações.

Entretanto, foram divulgadas as médias dos exames nacionais da primeira fase. As classificações médias registaram uma descida nas disciplinas de Português e Biologia e Geologia, enquanto Matemática A apresentou uma melhoria. Literatura Portuguesa foi a única disciplina a registar média negativa.

Perante os constrangimentos verificados, o Ministério da Educação anunciou uma época extraordinária de exames, destinada aos alunos elegíveis para a segunda fase. As provas decorrerão entre 3 e 8 de setembro e a melhor classificação obtida entre a segunda fase e a época extraordinária será considerada para efeitos de acesso ao Ensino Superior.

A polémica chegou também à Presidência da República. António José Seguro manifestou preocupação com a ansiedade criada junto de milhares de estudantes, famílias e professores, defendendo que todas as falhas e atrasos devem ser devidamente explicados e resolvidos com rapidez. O chefe de Estado apelou ainda ao Governo para que retire ensinamentos dos problemas registados, garantindo que futuros processos de inovação tecnológica sejam acompanhados por mecanismos capazes de prevenir situações semelhantes.

Apesar das dificuldades, o Presidente da República sublinhou a confiança no trabalho desenvolvido pelas escolas e pelos profissionais da educação, reiterando que nenhum aluno deve ser prejudicado por falhas técnicas ou administrativas alheias ao seu esforço e mérito. O apelo surge numa altura em que muitos estudantes aguardam a regularização das classificações para poderem prosseguir o seu percurso académico sem novos obstáculos.

0