Europa deteta uma nova droga por semana e alerta para aumento de substâncias sintéticas mortais

A Europa está a registar a identificação de novas substâncias psicoativas ao ritmo de cerca de uma por semana, num cenário marcado pelo crescimento de drogas sintéticas altamente potentes e por um aumento dos riscos para a saúde pública.

O alerta é da Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), sediada em Lisboa, que no mais recente Relatório Europeu sobre Drogas 2026 aponta para uma evolução rápida e preocupante do mercado ilícito.

Segundo o documento, durante 2025 foram comunicadas pela primeira vez 50 novas substâncias psicoativas, elevando para cerca de 1.050 o total de substâncias atualmente monitorizadas na Europa. A agência sublinha que esta proliferação está a tornar o fenómeno mais difícil de controlar e antecipar.

Entre as principais preocupações estão os opioides sintéticos, extremamente potentes e associados a um elevado risco de overdose. Desde 2009, foram identificados 95 novos opioides sintéticos na Europa, sete apenas no último ano.

A EUDA estima ainda que, em 2024, tenham ocorrido pelo menos 7.600 mortes por overdose na União Europeia, muitas delas associadas ao consumo combinado de várias substâncias.

O relatório alerta também para a diversificação dos produtos no mercado ilícito, incluindo dispositivos de vaping com formas sintéticas de canábis, o que pode facilitar a disseminação de substâncias particularmente perigosas.

Paralelamente, a agência destaca a crescente sofisticação das redes de tráfico, que recorrem a drones, embarcações rápidas, semissubmersíveis e novas rotas para evitar a deteção pelas autoridades, aumentando a pressão sobre os sistemas de controlo.

Apesar da emergência de novas substâncias, a canábis continua a ser a droga mais consumida na Europa, com cerca de 24,9 milhões de adultos a terem consumido a substância no último ano.

O relatório refere ainda o aumento do consumo recreativo de cetamina entre jovens e em contextos noturnos, alertando para riscos graves para a saúde, incluindo complicações físicas e intoxicações agudas.

Perante este cenário, a EUDA defende o reforço das políticas de prevenção, tratamento e redução de danos, bem como uma maior coordenação entre autoridades de saúde, forças de segurança e decisores políticos para enfrentar um mercado de droga em rápida transformação.

0