O Governo de Espanha afirmou esta quarta-feira que encara com “calma e normalidade” as declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a criticar duramente Madrid e ameaçou cortar relações comerciais entre os dois países.
As declarações foram feitas durante a cimeira da NATO, que decorre em Ancara, onde Trump classificou Espanha como um “caso perdido” e um “parceiro terrível”, acusando o país de não cumprir os compromissos de investimento em defesa.
Apesar do tom das críticas, fontes do executivo espanhol sublinham que a relação bilateral continua sólida, destacando os fortes laços sociais, culturais e económicos entre os dois países, sem qualquer intenção de os alterar.
O Governo espanhol recorda ainda que integra a União Europeia, um bloco comercial onde não é permitida a discriminação entre Estados-membros, posição já reiterada pela Comissão Europeia em ocasiões anteriores.
Madrid lembra também que os Estados Unidos mantêm um excedente comercial na relação com Espanha, o que significa que beneficiam economicamente desta parceria. Acrescenta ainda que as relações comerciais são, em grande medida, estabelecidas por empresas privadas, e não diretamente pelos governos.
As críticas de Trump surgem no seguimento da recusa de Espanha em aumentar a despesa em defesa para 5% do PIB, sendo o único país da NATO a rejeitar essa meta — um ponto que tem gerado tensão recorrente entre Washington e Madrid.
Apesar da escalada verbal, o executivo espanhol insiste numa postura de estabilidade, defendendo que a cooperação entre os dois países continua a ser vantajosa tanto no plano económico como no da defesa.

