“Encontrámo-lo abraçado aos avós”: membro da equipa de resgate relata como encontrou o corpo do menino soterrado após sismos na Venezuela

Um membro da equipa de resgate internacional que opera na Venezuela relatou o momento em que foi encontrado o corpo de Lucas Gámez, o menino argentino soterrado após os violentos sismos que atingiram o país. Segundo Guillermo Arana Leyton, o corpo da criança foi localizado “abraçado aos avós”, já sem vida, entre os escombros de um edifício colapsado.

O socorrista, que integra o grupo Fénix Unit, explicou que as equipas mantiveram esperança até ao fim de encontrar sobreviventes, apesar da dimensão da tragédia. “Conseguimos concluir o objetivo, mas não da forma que esperávamos. Foi algo nefasto pela quantidade de pessoas falecidas”, afirmou.

A operação decorreu no edifício Miramar, onde as equipas tiveram de desmontar uma estrutura de nove andares com recurso a maquinaria pesada. Lucas encontrava-se no segundo piso, juntamente com os avós, com quem tinha ido passar o dia à praia de La Guaira. Tinham acabado de entrar no prédio quando o sismo atingiu a zona.

Apesar de alguns relatos indicarem que houve pessoas que resistiram até dez dias sob os escombros, muitas não chegaram a ser resgatadas a tempo. Arana Leyton admite que o número de vítimas mortais poderá aumentar significativamente, ultrapassando os 20 mil. Até ao momento, os dados oficiais apontam para mais de quatro mil mortos.

As condições no terreno continuam a agravar a situação. Segundo o socorrista, há falta de água potável, inexistência de saneamento básico e já começam a surgir problemas de saúde, como casos de sarna, inclusive entre elementos das equipas de resgate. “Estamos ultrapassados em tudo. Qualquer país se sentiria assim perante uma tragédia desta magnitude”, disse.

A escassez de maquinaria está também a dificultar a remoção de escombros e a recuperação de corpos. “O odor dos corpos é avassalador. Há muitos cadáveres ainda presos nos edifícios e não temos meios suficientes para avançar mais rapidamente”, relatou.

A missão contou com o apoio de médicos venezuelanos radicados na Argentina e da comunidade local, que forneceu alimentos às equipas. Ainda assim, o socorrista admitiu dificuldades em lidar com a situação no terreno. “Trabalhávamos 24 horas, descansávamos duas e voltávamos ao trabalho. Era difícil até comer perante o que estávamos a viver”, afirmou.

Guillermo Arana Leyton anunciou que regressará à Venezuela nos próximos dias, acompanhado por uma nova equipa composta por especialistas em resgate mineiro, psicólogos e médicos, com o objetivo de reforçar as operações de recuperação e apoio às populações afetadas.

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