ECDC admite possível aumento de casos de hantavírus após surto em cruzeiro

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alertou esta segunda-feira que podem surgir novos casos de infeção por hantavírus nas próximas semanas, na sequência do surto associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, que levou a uma operação de repatriamento de passageiros em vários países europeus.

Num comunicado, a diretora do organismo, Pamela Rendi-Wagner, sublinhou que ainda existem “incertezas” sobre a evolução do surto e que, devido ao longo período de incubação do vírus, é possível que mais passageiros ou membros da tripulação venham a desenvolver sintomas nos próximos dias.

Passageiros em vigilância e casos graves confirmados

De acordo com o ECDC, todos os passageiros e tripulantes envolvidos no cruzeiro continuam a ser considerados de alto risco. Muitos estão a ser repatriados em voos não comerciais organizados por vários Estados europeus, no âmbito de uma resposta coordenada com a Comissão Europeia.

As autoridades de saúde recomendam que:

  • pessoas com sintomas sejam imediatamente isoladas e submetidas a testes;
  • contactos sem sintomas permaneçam em quarentena;
  • todos sejam monitorizados durante um período que pode ir até seis semanas.

Foi entretanto confirmado um novo caso em França, uma passageira que desenvolveu sintomas graves durante o voo de regresso e que se encontra em cuidados intensivos.

Ligação ao mesmo foco de infeção

As análises genéticas realizadas indicam que os casos estão associados à mesma origem de infeção. O ECDC refere que o vírus identificado pertence a uma linhagem semelhante aos hantavírus Andes, conhecidos por circularem na América do Sul, descartando assim a existência de uma nova variante.

Apesar da gravidade do surto a bordo, a avaliação de risco para a população em geral mantém-se “muito baixa”, segundo o organismo europeu.

Operação de repatriamento em curso

A Comissão Europeia ativou o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia a pedido de Espanha, tendo sido realizados vários voos a partir das Canárias para repatriar passageiros do navio. No total, dezenas de pessoas já foram transportadas para os seus países de origem.

O MV Hondius, que partiu do sul da Argentina no início de abril, continua sob vigilância sanitária e deverá seguir viagem para o porto de Roterdão após a conclusão das operações de evacuação.

A Organização Mundial da Saúde confirmou até ao momento seis casos associados ao surto, incluindo três mortes, mantendo a situação sob acompanhamento internacional.

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