Eben Byers: o milionário que morreu após consumir água radioativa

O caso de Eben Byers tornou-se um dos exemplos mais chocantes dos perigos associados ao uso indiscriminado de substâncias radioativas no início do século XX, após o norte-americano ter consumido durante anos um “medicamento” à base de rádio que acabou por provocar a sua morte.

Nascido em 1880, em Pittsburgh, Byers era herdeiro de uma família abastada e destacou-se como desportista, tendo vencido o Campeonato Amador de Golfe dos Estados Unidos em 1906. A sua vida mudou em 1927, após sofrer uma lesão no braço durante uma viagem de comboio.

Para tratar a dor, foi-lhe receitado o Radithor, um produto promovido como tónico revitalizante, composto por água destilada com rádio — uma substância altamente radioativa. Na época, os riscos da exposição à radiação eram ainda pouco compreendidos, o que facilitou a popularização deste tipo de “tratamentos”.

Convencido dos alegados benefícios, Eben Byers terá consumido cerca de 1.400 frascos ao longo de três anos. Inicialmente, descreveu efeitos positivos, como aumento de energia, mas rapidamente começaram a surgir sintomas graves, incluindo perda de peso, dores intensas e deterioração física.

O caso agravou-se drasticamente quando a sua mandíbula começou a desintegrar-se. Os ossos e tecidos da boca foram sendo destruídos progressivamente pela radiação, num processo descrito como devastador. Buracos formaram-se no crânio e grande parte da estrutura óssea facial teve de ser removida.

Perante o estado crítico, as autoridades norte-americanas iniciaram investigações ao Radithor, levando à intervenção da Federal Trade Commission. Byers acabaria por morrer a 31 de março de 1932, aos 51 anos, vítima de envenenamento por radiação, associado ao desenvolvimento de cancro.

O seu corpo apresentava níveis tão elevados de radioatividade que foi necessário enterrá-lo num caixão revestido a chumbo, para evitar a contaminação do solo.

O responsável pela comercialização do produto, William J. Bailey, continuou a defender a segurança do Radithor, apesar das evidências. O escândalo contribuiu para o reforço da regulação de medicamentos nos Estados Unidos, incluindo o fortalecimento da atuação da Food and Drug Administration.

Décadas mais tarde, análises confirmaram que os restos mortais de Eben Byers ainda apresentavam níveis significativos de radiação, tornando o caso um marco histórico na consciencialização sobre os riscos de substâncias radioativas e da necessidade de controlo rigoroso na área da saúde.

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