E-mails revelam que Jeffrey Epstein ponderou mudança para Portugal

Trocas de e-mails divulgadas recentemente indicam que o empresário norte-americano Jeffrey Epstein terá ponderado mudar-se para Portugal, tendo manifestado interesse no país há cerca de uma década.

A informação foi avançada pelo jornal Expresso, que revela que, em 2014, Epstein trocou mensagens com a banqueira suíça Ariane de Rothschild, nas quais foi equacionada a possibilidade de uma mudança para a Europa, nomeadamente para a Suíça ou Portugal.

Nos e-mails trocados em novembro desse ano, Rothschild destaca “as praias, o sol, os fabulosos lugares históricos e a simpatia dos portugueses”. Epstein, porém, mostrou-se reticente, afirmando que “residir em Portugal é um preço demasiado alto a pagar”. Em resposta, a banqueira terá referido que “o preço mais alto” no país “é mais político do que legal”, salientando a existência de um regime que previa dez anos de isenção fiscal.

Segundo o semanário, menos de um ano depois, já em 2015, Epstein pesquisou sobre a chamada lei dos sefarditas, aprovada pelo Parlamento português, que permite a descendentes de judeus sefarditas requerer a nacionalidade portuguesa. A legislação viria, anos mais tarde, a estar associada a processos mediáticos de atribuição de nacionalidade, como o do empresário Roman Abramovich, em 2021.

Portugal já tinha surgido anteriormente nos chamados “Epstein Files”, designadamente em referências relacionadas com o caso Casa Pia. Ainda assim, o facto de nomes portugueses constarem nos documentos não estabelece qualquer ligação direta ou indireta dessas pessoas aos crimes cometidos pelo empresário.

Entre os nomes referidos está o de Maria Gomes de Melo, portuguesa e mulher do antigo mordomo de Epstein, que trabalhava no apartamento do empresário na Avenida Foch, em Paris. O mordomo, Valdson Vieira Cotrin, de nacionalidade brasileira, deu uma entrevista em 2025 ao jornal britânico The Guardian, onde relatou episódios da sua experiência profissional.

Jeffrey Epstein, financeiro com ligações a várias figuras influentes, incluindo Donald Trump, foi encontrado morto em 2019 numa cela de uma prisão federal em Nova Iorque, enquanto aguardava julgamento por acusações de exploração sexual. A morte foi considerada suicídio pelas autoridades norte-americanas.

O Department of Justice (DOJ) tem vindo a divulgar fotografias, registos telefónicos, depoimentos e outros documentos relacionados com o caso, que continuam a ser analisados e escrutinados publicamente.

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