Detido em Águeda um dos maiores pedófilos portugueses em operação internacional

Sete anos depois de uma operação secreta que abalou redes globais de abuso sexual de menores, vieram agora a público novos detalhes através do documentário Infiltrados na dark web, da BBC News Brasil em colaboração com a BBC Eye.

O filme acompanha investigadores do Brasil, Estados Unidos, Rússia e Portugal que integraram uma coligação internacional dedicada ao combate ao abuso infantil na chamada “dark web”, a parte oculta da internet acessível apenas com ferramentas específicas.

Em 2019, a Polícia Federal do Brasil deteve um homem conhecido online como “Lubasa”, acusado de administrar cinco dos maiores fóruns de abuso sexual infantil da dark web, que reuniam cerca de dois milhões de utilizadores em todo o mundo. A detenção foi mantida em segredo durante meses, uma vez que os servidores continham informação crucial para identificar outros suspeitos e localizar vítimas.

Entre os colaboradores de “Lubasa” encontrava-se um português conhecido como “Twinkle”, identificado como Nuno Melo, detido numa zona remota de Águeda, a pouco mais de 60 quilómetros de Coimbra. Segundo o Correio da Manhã, o suspeito residia com os pais e terá filmado e fotografado abusos cometidos contra duas crianças de cinco anos. Foi posteriormente condenado a 21 anos de prisão.

De acordo com o documentário, “Twinkle” era responsável pelo fórum “BabyHeart”, descrito pelas autoridades como um dos mais violentos da rede. Um agente do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Greg Squire, afirmou à BBC que o suspeito fornecia uma quantidade significativa de imagens e vídeos de abusos.

Já “Lubasa” cumpre atualmente uma pena de 266 anos de prisão no Brasil. A apreensão dos servidores permitiu identificar e deter centenas de utilizadores em vários países, naquela que foi descrita como a maior apreensão de ficheiros da dark web até à data.

Entre os casos resolvidos através da investigação destaca-se o resgate de uma criança de sete anos na Rússia, que tinha sido sequestrada e dada como morta. As informações recolhidas permitiram identificar o alegado sequestrador, posteriormente condenado a 19 anos de prisão.

O documentário revela, pela primeira vez, detalhes da operação internacional desencadeada em 2019 e expõe a dimensão e complexidade do combate às redes globais de exploração sexual de menores.

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