Coleção construída ao longo de 60 anos está em exposição em Cantanhede

Uma coleção construída ao longo de cerca de seis décadas por Joaquim Roque está agora aberta ao público no MACC – Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede. A exposição, intitulada “O Universo do Colecionador: coleção Joaquim Roque”, pode ser visitada até 4 de outubro e inaugura um novo ciclo dedicado às coleções particulares e às pessoas que dedicam parte das suas vidas a reuni-las e preservá-las.

A mostra pretende revelar não apenas um conjunto de objetos, mas também a paixão, a memória e as histórias que estão por detrás de uma coleção particular, dando a conhecer o percurso de um dos grandes entusiastas do colecionismo no concelho de Cantanhede.

Com esta iniciativa, o MACC concretiza uma das missões definidas para o espaço museológico: dar visibilidade às coleções particulares e aos seus protagonistas, permitindo que património habitualmente reservado ao domínio privado possa ser conhecido pela comunidade.

A coleção de Joaquim Roque é a primeira escolhida para concretizar este projeto, marcando o início de um ciclo de exposições dedicado ao universo do colecionismo.

“Guardiões do tempo e da memória”

Na inauguração, o vice-presidente da Câmara Municipal de Cantanhede e responsável pelo pelouro da Cultura, Pedro Cardoso, destacou precisamente a importância dos colecionadores na preservação do património.

«Celebrar o colecionismo é homenagear os colecionadores e o seu papel como guardiões do tempo e da memória, na maior parte das vezes o primeiro porto de abrigo da arte e da história», afirmou.

Para Pedro Cardoso, os colecionadores são movidos por uma permanente curiosidade, paixão e respeito pela história, construindo arquivos capazes de estabelecer uma ligação entre diferentes gerações.

O autarca salientou ainda a importância da partilha destes acervos, considerando que, quando são disponibilizadas ao público, coleções privadas podem transformar-se num património de elevado valor coletivo.

A escolha de Joaquim Roque para abrir este novo ciclo não foi, por isso, casual.

«Dar visibilidade e palco às coleções de um dos grandes colecionadores do concelho como o Joaquim Roque é começar com a prata da casa, e uma forma de reconhecimento público ao esforço enquanto colecionador», afirmou Pedro Cardoso.

O vice-presidente agradeceu ainda o investimento e o trabalho desenvolvido ao longo dos anos para “resgatar valores históricos e preservar momentos, objetos e memórias” que, de outra forma, poderiam desaparecer com a passagem do tempo.

Uma coleção sem regras construída pela paixão

A dimensão temporal do acervo é um dos aspetos que mais se destaca. A coleção foi construída ao longo de aproximadamente 60 anos e caracteriza-se pela sua natureza eclética e espontânea.

Não existe um único tema orientador nem uma organização rígida que tenha determinado aquilo que deveria ou não integrar a coleção. Cada objeto foi sendo incorporado essencialmente pelo prazer da descoberta e pelo fascínio que despertava no próprio Joaquim Roque.

É precisamente essa característica que permite que a exposição revele também algo sobre o próprio colecionador.

Mais do que apresentar peças isoladamente, “O Universo do Colecionador” procura mostrar a relação existente entre cada objeto, a sua história e a pessoa que decidiu preservá-lo, refletindo a curiosidade, personalidade e dedicação de Joaquim Roque ao longo de várias décadas.

A exposição permanece patente no Museu de Arte e do Colecionismo de Cantanhede até 4 de outubro, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer uma coleção particular que, depois de seis décadas de construção, passa agora do universo privado para o olhar da comunidade.

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