Chega quer privatização da RTP e entrega proposta no Parlamento em setembro

O partido Chega vai avançar com uma proposta de privatização da RTP, a apresentar no Parlamento no início de setembro, após a reabertura dos trabalhos legislativos.

A iniciativa, liderada por André Ventura, assenta na ideia de que os custos associados ao serviço público de rádio e televisão são “incomportáveis para os contribuintes” e não se traduzem, segundo o partido, em “mais-valias para os cidadãos”. O Chega defende ainda que a taxa audiovisual aplicada aos portugueses é “injusta e desproporcional”.

De acordo com a posição do partido, a RTP teria se tornado “um poço sem fundo de dinheiro público”, argumento que o Chega tem reiterado em diferentes ocasiões, defendendo uma profunda reestruturação ou alienação do operador público de media.

O tema não é novo no discurso político do partido. A deputada Cristina Rodrigues já tinha questionado publicamente a sustentabilidade financeira da estação, apontando prejuízos recentes e defendendo uma eventual auditoria parlamentar.

As críticas de André Ventura ao canal público têm sido recorrentes, incluindo acusações de parcialidade editorial e de má gestão, defendendo que uma eventual mudança de modelo deveria garantir maior independência e eficiência na gestão da empresa.

Do lado da administração, a RTP, presidida por Nicolau Santos, tem reconhecido desafios financeiros, referindo que o contexto atual resulta de receitas congeladas e aumento generalizado de custos, num cenário de pressão sobre a sustentabilidade do serviço público.

A proposta do Chega deverá ser discutida no Parlamento após o verão e promete reabrir o debate sobre o futuro do serviço público de media em Portugal, num tema que historicamente divide partidos e opinião pública.

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