A vida breve e trágica de Cândida Branca Flor marcou a música portuguesa

A história de Cândida Branca Flor, uma das vozes mais reconhecidas da música popular portuguesa nas décadas de 1970 e 1980, ficou marcada por uma carreira artística de grande popularidade, mas também por episódios pessoais difíceis que acabariam por conduzir a um final trágico.

Cândida Maria Coelho Soares nasceu a 12 de novembro de 1949, em Beringel, no concelho de Beja, no Baixo Alentejo. Adotou o nome artístico Cândida Branca Flor e iniciou a sua carreira pública na segunda metade da década de 1970, tendo integrado o grupo Banda do Casaco, onde começou a afirmar-se como intérprete.

Rapidamente conquistou popularidade junto do público português, destacando-se pela interpretação de música tradicional e popular, bem como pela forte ligação a projetos destinados ao público infantil. Tornou-se particularmente conhecida pela participação no programa televisivo “Fungagá da Bicharada”, ao lado de Júlio Isidro, que marcou várias gerações.

Ao longo da sua carreira gravou diversos discos e interpretou canções que se tornaram muito populares, entre as quais “Alma Portuguesa”, “Desejos Coloridos”, “Mar de Rosas” e “O Cochicho”. Entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1990 manteve uma presença regular na televisão, na rádio e em espetáculos ao vivo, incluindo atuações para comunidades portuguesas emigrantes.

Participou também em várias edições do Festival RTP da Canção. Em 1979 apresentou o tema “A Nossa Serenata”, regressando em 1982 com “Trocas Baldrocas” e em 1983 com “Vinho do Porto (Vinho de Portugal)”, interpretado em dueto com Carlos Paião. Embora nunca tenha vencido o certame, estas participações reforçaram a sua visibilidade no panorama musical português.

Apesar do sucesso público, a vida pessoal da artista foi marcada por momentos de instabilidade emocional e dificuldades financeiras, especialmente nos últimos anos da sua carreira. Durante a década de 1990, a presença mediática de Cândida Branca Flor diminuiu e amigos próximos referiram que atravessava um período de fragilidade psicológica.

A 11 de julho de 2001, a cantora foi encontrada sem vida na sua residência em Massamá, no concelho de Sintra. A morte foi posteriormente associada a suicídio, um desfecho que chocou o país e marcou profundamente o meio artístico português.

Cândida Branca Flor tinha 51 anos. A sua trajetória permanece como uma das mais marcantes da música popular portuguesa, recordada tanto pelo sucesso que alcançou junto do público como pela dimensão humana e dramática da sua história.

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