Carolina Torres, de 18 anos, mais conhecida como Noori, desapareceu no dia 9 de outubro de 2025 e foi encontrada sem vida um mês e meio depois, a 16 de novembro, na Praia da Leirosa, na Figueira da Foz, a mais de 200 km de Almada, local onde vivia. Apesar das autoridades considerarem a morte como suicídio, a família mantém dúvidas e aguarda o relatório de autópsia, sem descartar a possibilidade de intervenção de terceiros.
A jovem nasceu a 18 de junho de 2007, filha de um militar da Marinha e de uma enfermeira. Os pais separaram-se quando Carolina tinha 10 anos, altura em que o seu comportamento começou a mudar. Apesar de manter boas notas escolares e relações com os amigos, começou a ter conflitos familiares recorrentes e episódios de silêncio preocupantes.
Carolina chegou a apresentar queixa contra o pai por violência doméstica, posteriormente retirada, e passou a ser acompanhada por uma psicóloga pedopsiquiátrica. Durante a adolescência, começou a consumir álcool e drogas, apesar de estar medicada, e aos 17 anos decidiu mudar-se para Lisboa, para frequentar a Escola António Arroio. A situação em casa do pai agravou-se, levando-a a sair e a viver na rua.

A última vez que Carolina contactou a mãe foi a 9 de outubro, antes de desaparecer. Sabia-se que tinha apanhado um autocarro até à Praça São João Batista e que iria encontrar um amigo na Estação Gil Vicente, próxima do local onde pernoitava.
Em entrevistas, a mãe de Carolina revelou que a jovem sofria de Transtorno de Personalidade Borderline, o que poderá ter influenciado o seu comportamento autodestrutivo, incluindo consumo de substâncias e tentativas de suicídio. A jovem também teve um internamento recente, mas regressou à rua pouco depois.
O Ministério Público não autorizou a cremação, e a Polícia Judiciária mantém o processo aberto. Para a família, a morte de Carolina continua por esclarecer, com a hipótese de terceiros ainda em análise.
