“A Gronelândia pertence ao seu povo”. Portugal subscreve autonomia do território

O Governo português subscreveu uma declaração europeia que reafirma a autonomia da Gronelândia e a necessidade de manter a segurança no Ártico, na sequência das recentes ameaças de anexação feitas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“A Gronelândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e apenas a elas, decidir sobre questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia”, escreveu o primeiro-ministro, Luís Montenegro, numa mensagem divulgada nas redes sociais.

A posição portuguesa surge depois de líderes de vários países europeus, entre os quais Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Itália e Polónia, terem defendido a autonomia da Gronelândia, território sob administração da Dinamarca. Numa declaração conjunta, estes países sublinharam que a ilha ártica, considerada estratégica e rica em recursos minerais, pertence ao seu povo, apoiando igualmente a posição da primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que exigiu aos Estados Unidos o fim das ameaças “contra um aliado histórico”.

Luís Montenegro referiu ainda que Portugal acompanha a posição dos parceiros europeus de que a segurança no Ártico continua a ser uma prioridade fundamental para a Europa, com impacto direto na segurança internacional e transatlântica. O primeiro-ministro recordou que a NATO considera a região do Ártico como prioritária, salientando que os aliados europeus têm vindo a reforçar a sua presença, atividades e investimentos para garantir a segurança e dissuadir potenciais adversários.

Segundo o chefe do Governo, essa segurança deve ser alcançada de forma coletiva, em articulação com os aliados da NATO, incluindo os Estados Unidos, sublinhando que o Reino da Dinamarca, do qual a Gronelândia faz parte, integra a Aliança Atlântica.

Na mensagem, Luís Montenegro destacou ainda a importância do respeito pelos princípios da Carta das Nações Unidas, nomeadamente a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras, considerando-os princípios universais que devem ser sempre defendidos.

Donald Trump reiterou recentemente a intenção de anexar a Gronelândia, classificando a ilha como estratégica para a segurança dos Estados Unidos. A Gronelândia tem cerca de 57 mil habitantes, possui recursos minerais significativos ainda maioritariamente inexplorados e acolhe atualmente uma base militar norte-americana, tendo albergado várias outras durante a Guerra Fria.

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